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    July 31

    A felicidade, não é comprada

     Ricardo Henrique.

    29/ 05/06

    (Artigo)

    Globalização: Sistema que pode alimentar desejos ilusórios

     

     

    Um dos caracteres mais objetivos da estrutura do globalizar é o interesse pelo capital, por acumular bens e ser capaz de dominar a tecnologia de ponta, sendo que todo esforço só evidencia o dinheiro. Na verdade, a estrutura capitalista deveria alimentar a importância pelo ser-humano, valorizando-o dentro de sua “ambiência social”, dando-lhe direito e dignidade, e não se preocupar severamente com o consumismo que não permite aos homens e mulheres se alimentarem de desejos benéficos. O desejo saudável tem que oferecer impulso criativo, pois este proporciona um visível amadurecimento dos cidadãos frente à sua participação na coletividade.

     

    É real vermos o mundo contemporâneo mergulhado no individualismo, onde os bens materiais de caracteres possessivos e não compartilhados são doentiamente valorizados. Em torno do conjunto socioeconômico, todos deveriam ser sempre os principais beneficiados pelos recursos gerados pelo sistema capitalista, mas a força individual compõe intrinsecamente o meio político e econômico.

     

    Na fenomenologia do ethos, a pessoa aprimora a sua eticidade em relação a sua vivência no mundo. Há valores que podem ser modificados devido às influências da época, mas é necessário que, dentro da ética, se possa fomentar o respeito às diversas culturas. A lei do ethos é anterior a algo já existente, por exemplo, quando se tem alguma atitude que seja um desrespeito aos direitos humanos, para se livrar de tal culpa, rapidamente se recorre às leis prontas, enlatadas, estatutos e manuais. Na verdade, atualmente, a ética é construída com bases em valores que nem sempre são éticos, assim, podemos constatar que, no sistema da globalização, essa falta de ética não é verossímil.

     

    Na atualidade, diante de tanta correria no seu dia-dia, o ser humano, ininterruptamente, afirma a sua existência, buscando desejos que preencham o vazio existente no seu ego; no entanto, mesmo satisfazendo as suas vontades, o mesmo ser tende a se sentir insatisfeito. Realmente, é correto afirmar que o desejar não tem fim? Sendo o desejo algo infinito, a nossa vontade de viver é algo incansável, refletindo-se, sucessivamente, na auto-afirmação da vida.

     

    Se o mundo globalizado mantém uma estrutura que alimenta os desejos ilusórios, podemos constatar: o estresse, o envelhecimento precoce e a má qualidade de vida, sinais desta doença que destrói aos poucos o gosto por viver em certas sociedades. A Igreja Católica, na pessoa do Papa, vem sempre alertando o mundo para tomar cuidado com a relativização das opiniões, o consumismo desenfreado e a alimentação dos desejos fúteis, que são patentes no uso dos bens de ordem passageira.

     

    Só em ouvir falar de mensalão os nossos ouvidos, juntamente, com os nossos desejos nem a capacidade de peneirar certas informações, pois, na verdade, a crise política presente se afirma como um ópio, porque, certas posturas políticas e atitudes governamentais estão em alguns momentos vazias de sinceridade.

     

    O globalizar, que tem como objetivo elevar o humano e a economia de certos países, na verdade, segue um curso contrário: o humano é diminuído mergulhado na ilusão, e o dinheiro é super-valorizado, mais ninguém sabe qual eficácia terá tanta acumulação de bens materiais. Por tanto, a política precisa ser, verdadeiramente, civilizada, porquê com certeza a sociedade já é. Podemos também evidenciar a idéia do filósofo Hegel que afirma o estado como regulador dos direitos da família, mas na verdade não é isso que se consegue perceber no interesse da política capitalista globalizante.