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November 19 A Bíblia judaica e a Bíblia cristãFichamento da 3º parte do Capítulo I do livro: (A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã / BARRERA J. T)
Autor: Ricardo Henrique Oliveira Santana
Salvador, 07 de março de 2006.
BARRERA, J.T. A Bíblia judaica e a Bíblia cristã: introdução à história da Bíblia. Petrópolis: Vozes, 1996, pp. 111-129.
Capítulo I: A Bíblia e o Livro na Antiguidade 3º Parte: Transmissão Escrita e Transmissão Oral
I. Dificuldades de Transmissão de Textos na Antiguidade
É importante dar-se conta das enormes dificuldades que a cópia de manuscritos comportava na Antiguidade. Estas dificuldades não faziam senão incrementar a proliferação de erros. Escrevia-se com maior rapidez do que hoje podemos imaginar (cf. Esd 7; 6, “escriba rápido”, se esta é a tradução do adjetivo mahir, rápido e não “escriba competente” como sugere a comparação com uso do termo em etiópico) Isto não contribuía para a precisão na cópia dos manuscritos. (p.111)
As dificuldades de transmissão textual na Antiguidade adquirem relevo especial em caso muito freqüente e significativo: o das reedições ou revisões de obras em circulação. Dadas as condições de difusão dos livros naquelas épocas não era fácil que a segunda edição fizesse desaparecer todos os exemplares da primeira. (p. 112)
II. Momentos Cruciais na História da Transmissão Textual
A história da escritura conheceu momentos cruciais na Antiguidade para transmissão textual correta dos livros então conhecidos. Estes momentos coincidem com situações de transição, pela mudança do material utilizado (transição das tabuletas ao papiro, destes ao pergaminho), do sistema de encadernação (do volume ou rolo ao códice ou livro), do tipo de letra (dos caracteres paleo-hebraicos ou “quadráticos” ou caracteres gregos unciais aos cursivos). (p.112)
A transição do papiro ao pergaminho ocorreu no início do período persa, coincidindo com início do processo de canonização da literatura bíblica (....). A adoção do pergaminho é um indício a mais da aramaização do antigo Oriente e do mundo judeu nesta época, na qual foram adotadas também a língua e a escritura aramaica. (p.113)
O rolo era conhecido em hebraico pelo nome de megillâ ou com a expressão megillat seper, traduzida para o grego por kephalís biblíou (Hb 10,7, citação do Sl 40, 7 [8]). (p.113)
Escrever no volume ou rolo de papiro era muito mais cômodo que nas tabuletas de barro. Todavia. O papiro deteriorava-se com o passar do tempo, sobretudo nas regiões úmidas. De fato quase todos os papiros conservados procedem do Egito e do Mar Morto. (p. 113-114)
Na antiguidade um rolo continha, geralmente, o texto de uma única obra. Um rolo podia ter tamanho suficiente para conter a cópia de um livro tão extenso como Isaías. Alguns livros bíblicos eram suficientemente breves para serem editados conjuntamente em um só volume. O Pentateuco era, ao contrário, demasiado para ser copiado em um só rolo; utilizavam-se normalmente cinco rolos, um para cada livro. (p. 115)
Na Antiguidade não era possível copiar em um único rolo a totalidade dos livros canônicos e nem mesmo uma das três grandes seções que subdividem o cânon (Torá, Profetas e Escritos). (p.116)
Não se estranha que o rolo tenha caído progressivamente em desuso, sendo substituído pelo codex ou códice, feito com folhas de papiro antes e de pergaminho depois. Cadernetas de quatro folhas duplas (quaternio) formavam um códice, com espessura discreta e aspecto semelhante ao de um livro moderno com capa de madeira ou pele. (p. 116)
Os cristãos logo usaram o códice para a difusão de seus escritos. O códice oferecia numerosas vantagens sobre o rolo; menor custo, facilidade de consulta e de transporte, maior capacidade de texto e possibilidade de enumerar páginas e de incluir índices, o que tornava mais difícil a interpolação de textos por outras mãos. (p. 117)
O códice tornou-se o melhor companheiro de viagem para o missionário que abandonou os aborrecidos volumes mais apropriados para o depósito nos “armaria” das sinagogas ou “capsae” cilíndrico de uma biblioteca. (p. 117)
A imediata adoção do códice pelos cristãos representou uma ruptura com a tradição judaica que não autorizava a cópia dos textos sagrados em outro formato a não ser o do volume ou do rolo. (p. 118)
Nos primeiros tempos as comunidades cristãs, movidas pela pressa apocalíptica e também apostólica que exigia a rápida conversão dos gentios (....) consideravam preeminente a difusão apostólica das palavras de Jesus através de um meio prático e rápido como códice, que a sacralidade e o decoro da letra e do material no qual se escreviam os textos. (p.118)
O uso dos colofões e inscriptiones era bem conhecido no antigo Oriente (Hunger). Na bíblia encontram-se exemplos nas compilações legais e na literatura hínica e sapiencial. Estas práticas dos escribas subministram interessantes informações sobre a história textual das compilações legais, hínicas, sapienciais etc. (p.120)
A transmissão dos textos bíblicos em volumes contém exemplos comparáveis. As divisões em seções “abertas” e “fechadas”, nos manuscritos bíblicos medievais, remontam, como comprovam os manuscritos do Mar Morto, à época da transmissão em rolos. (p. 122)
(...) o Saltério se divide em cinco livros, o Pentateuco também e os cinco livros que formam a coleção de Megillôt se copiavam em um só volume. (p.124)
III. A Transmissão Oral
A transmissão oral jogou papel decisivo nos processos de formação e interpretação da Bíblia: nos momentos iniciais, quando a palavra viva dos narradores e profetas se converteram em “textos” escritos, e nos momentos finais, quando escrito começou a ser interpretado, primeiro em forma oral e ao mesmo servindo-se de materiais da tradição oral. (p. 124)
No mundo moderno ocidental o leitor transformou-se num sujeito mudo. A difusão da Bíblia em edições baratas e de bolso fez dela um livro a mais, perdido entre outros nas estantes de qualquer biblioteca. (p. 125)
Na história das religiões e na forma da Bíblia, a transição da tradição oral para a transmissão escrita assinala uma mudança decisiva. Por outro lado, memorizar as Escrituras ou a simples recitação das mesmas supunha uma espécie de ingresso no âmbito do divino. (p. 125)
A recitação ou leitura em voz alta era prática habitual nos cultos helenísticos, como o de Ísis. Nas sinagogas, mesquitas e Igrejas, a leitura pública é parte integrante do culto. (p. 127)
A transmissão oral pode ser preferida à escrita, embora se aceite a autoridade do escrito. Escutar a recitação do Alcorão é mais importante que sua leitura. (p. 127)
A definição de tradição oral converteu-se num elemento fundamental para estabelecer a diferença entre o judaísmo da dupla Tora, escrita e oral, e o cristianismo dos dois testamentos, antigo e novo. (p. 128)
Nas origens do cristianismo a tradição oral desempenhou papel importante em numerosos aspectos: caráter do movimento de Jesus, formação do cânon, fixação do texto, interpretação do mesmo etc. (p.128)
A passagem da tradição cristã oral para a escrita constitui um momento decisivo na formação do NT, em particular dos evangelhos e, sobretudo do de Marcos. Junto à hermenêutica da oralidade, analisando para isto as funções próprias da linguagem oral (Kelber). (p. 129)
Consideração:
O capítulo fichado poderá ser empregado como subsídio das aulas, de História da Igreja, Liturgia e Introdução à Bíblia, pois, o autor, nos apresentando o processo de surgimento do Livro Sagrado, contrapõem constantemente os aspectos fundamentais da tradição Judaica, que o Cristianismo adquiriu. O autor também faz uma passagem rápida comentando o comportamento das outras religiões como: Budismo, Islamismo e Hinduísmo, referente à leitura e a escrita dos seus textos, preservando o valor da palavra (respeito e consideração).
November 10 O que é mito?O que é mito?
As antigas religiões que atualmente não mais existem, foram grandes reguladoras do sagrado, pois, constantemente, estavam em contato com as forças invisíveis através de sacrifícios que possuíam a sua ritualização própria. O mito é um dispositivo utilizado pelos antigos, para contar os fatos acontecidos em relação sua vivência cotidiana, utilizando-se da linguagem simbólica. O rito, já é concretização do mito, por exemplo: O casamento; A purificação de jovens meninas para entrarem numa tribo na África, cortando o hímen. No rito a palavra e os gestos ganham a sua sacralidade, e é por isso que muitas tradições existem até hoje, especificamente o Cristianismo.
O mito no seu sentido de origem:“O mito é a mais antiga forma de conhecimento, de consciência existencial e ao mesmo tempo, de representação religiosa sobre a origem do mundo, sobre os fenômenos naturais e a vida humana. Deriva do grego mythos, palavra, narração ou mesmo discurso, e dos verbos mytheyo (contar, narrar) e mytheo (anunciar e conversar). Sua função, por tanto é a de descrever, lembrar e interpretar todas as origens, seja ela a do cosmo(cosmogonia), dos (teogonia) , das forças e fenômenos naturais (vento, chuva, relâmpago, acidente geográfico, seja ela a da causas primordiais que impuseram ao homem as suas condições de vida e seus comportamentos. Em síntese, é a primeira manifestação de um sentido para o mundo”.[1]
O mito no dicionário: Mito sm. 1. Relato sobre o seres e acontecimentos imaginários acerca dos primeiros tempos ou de épocas heróicas 2. Narrativa de significação simbólica, transmitida de geração em geração dentro e determinado grupo, e considerada verdadeira por ele. 3. Idéia falsa, que distorce a realidade ou não corresponde a ela. 4.Pessoa fato ou coisa real valorizados pela imaginação popular, pela tradição, etc. 5. Fig. Coisa ou pessoa fictícia, irreal; fábula.[2]
O mito na realidade humana: O mito, porém, não é só forma de expressão; os símbolos e as imagens coligadas no mito refletem a realidade verdadeira existente, porém tão profunda e vasta que não poderá ser apreendida por conceitos próprios. Por isso, o mito não nasce do nada, mas, sim, de uma experiência profunda.(....) O mito, porém, será vivido e vestido como material representativo de cad época. De tempos em tempos, morreram os mitos. Mas a realidade que os fez nascer está sempre aí a desafiar os homens e buscando irromper na consciência do espírito. Por isso, nascem de novo outros mitos, que por sua vez serão outras tantas tentativas de apreender o inapreenssível, de formular o informuláve, e deixar falar o que é de per si, indizível (BOOF: 197 pág. 62-63).
O mito na história: “Na ciência das mitologias - se é que podemos chamar assim nos referir -, encontra-se a clássica definição de Mircea Eliad, quem conceitua o mito, inserindo-o em uma categoria da história sagrada, uma história em que ele, o mito, toma forma de seres que se assemelham à imagem humana. O mito é identificado por Eliade como Deus ou como Herói Civilizador. Nessa perspectiva, seria o mito a tentativa descritiva das origens das coisas e da existência. Seria – visto por outro prisma – o fator capaz de preservar e transmitir paradigmas e exemplos de que se utiliza a natureza humana”.[3]
O mito na linguagem: Definido com recurso ideológico o mito não se constitui em negação das coisas. Ao contrário, ele penetra na linguagem para falar delas – as coisas -, fornecendo-lhes fundamentação da natureza e a eternidade. Podemos observar que as ideologias que influenciam uma determinada civilização, assim como a teologia, ao assumir um caráter oficial, vale-se dessa condição para a manutenção ou transformação do “statuto quo”. O mito se apresenta como responsável pela indagação que o ser humano faz em torno de sua própria eternização.[4]
Enfim, o mito cria uma compensação simbólica e imaginária para dificuldades, tensões e lutas reais tidas como insolúveis; omito se refere a esse fundo invisível e tenso e o resolve imaginariamente para garantir a permanência da organização. O mito na cultura da sociedade conta uma história (real) dramática, na qual a ordem do mundo (o reino animal, mineral, vegetal e humano) foi criada e constituída.
Bibliografia:
BOOF, Leonardo. O Evangelho do Cristo Cósmico. A realidade de um mito: Omito de uma realidade. Centro de investigação e divulgação, teologia/I. Petrópolis - Rio de Janeiro: Vozes, 1971.
[1] Texto: Mito e mitologia, extraído do site: htpp://wwwvideotextoinfo /mito_mitologia.html. Editora Perspectiva S.A.; à L&M Editores S/A e Editora videotexto.tv, acessado no dia 26/04/05 ás 15:30. [2] Cf. o míni Aurélio, 6º edição revista e atualizada, 2004. [3] Artigo “Da Ritualização da Sociedade ao Fetiche Consumogômico”, escrito por: Ruy dos Santos, teólogo, arte-educador, mestrando em Ciência da Religião na universidade Metodista de São Paulo, Membro da Igreja Cristã da Brasília e Professor de Ética no CEUB (Brasília DF), p. 3. [4] Idem, p. 5. LATOURELLE, René. Teologia da Revelação na visão LATOURELLE.Autores: Lafaiete Santana de Sá e Ricardo Henrique Disciplina: Novo Testamento I Professor: Frei Jorge Rocha
Comentário do Iº Capítulo do Livro:
LATOURELLE, René. Teologia da Revelação. 3º edição. São Paulo: Paulinas, 1972.
A revelação no AT, procura ser observada a partir das diferentes formas de teologias desenvolvias na época como: (J) e (E), que conceitua o termo revelação, mostrando que ela nasce do conteúdo de um diálogo de Deus com o homem. Observemos como acontecia a revelação: através da aliança, linguagem oral e sinais, tendo a intervenção de Deus na história.
O aspecto da revelação se manifesta no momento em que os profetas, atuam como comunicadores de Deus, pois é na história que Deus faz uma aliança com seu povo. Podemos destacar o livro do Deuteronômio, que é a base de todo conteúdo da aliança de Deus com o homem e a mulher, pois nele está contido a lei e a moral, que conduz toda forma de viver da comunidade religiosa (cf. Dt 30, 11-14).
Todo fundamento da revelação no NT, parte do princípio de que Cristo veio continuar a tradição anunciada pelos profetas, patriarcas e matriarcas. O anuncio é um sinal da presença de Deus encarnada no meio do ser humano (Mc 1, 14-15). A revelação em Cristo é abordada na questão de Cristo como doutor, ou seja, possuía uma autoridade que não era presa à lei.
Latourelle evidencia algumas atitudes de Cristo:
● Cristo ensina, passando para o povo novos princípios morais: observar a pobreza, humildade e a caridade; ● Ensina em parábolas, para manifestar um entendimento comum à compreensão das pessoas; ● Demonstra-nos que a aceitação da revelação divina é obra da graça de Deus.
Portanto, o conteúdo da revelação no NT é a própria pessoa de Cristo, sinal de salvação que é oferecida a toda humanidade, através do anúncio do reino de Deus, concretizado nele e por ele. O verbo encarnado profetiza a vinda do reino, e indica onde ele se realiza. |
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